Postado em: 05/05/2017 08:03:59

Post by: Jeferson Luiz

Beto Richa (PSDB) anuncia contratação, mas prazo de concurso vence e 163 PMs não ingressarão na tropa

Apesar da promessa, no entanto, os candidatos não devem ingressar na Polícia Militar (PM).

O governador Beto Richa (PSDB) havia anunciado, no fim de janeiro, que convocaria 163 candidatos a policiais militares, classificados como suplentes em concurso público realizado em 2012. Apesar da promessa, no entanto, os candidatos não devem ingressar na Polícia Militar (PM). Segundo a Secretaria de Estado da Administração (Seap), embora o tucano tenha autorizado as contratações, “o prazo previsto no edital do concurso venceu, de maneira que as nomeações não se fazem possíveis”. Deste modo, nenhum suplente do concurso será chamado.

O concurso venceu no dia 29 de janeiro. Quatro dias antes - no dia 25 -, o governador havia criado um aporte de 163 vagas e, em seguida, chegou a anunciar em eventos públicos que convocaria os suplentes para serem incorporados à tropa da PM. O anúncio foi inclusive publicado em canais oficiais de comunicação do governo do Paraná, como a Agência Estadual de Notícias. “É mais uma clara demonstração da boa situação do Paraná, que colhe os resultados das medidas do ajuste fiscal e pode reforçar o quadro de servidores para serviços essenciais à população”, disse Richa, à época.

Enquanto isso, os futuros policiais se prepararam para assumir os postos. Muitos pediram demissões de seus respectivos empregos e outros chegaram a comprar o enxoval, exigido pela PM para o curso de formação.

“Pra todos nós, foi um choque. A gente foi iludido e usado como propaganda política para o governo. Eu saí, dei baixa na carteira [de trabalho] e agora estou como autônomo, sem a menor garantia”, disse um candidato que assumiria umas das vagas e que mora na região de Londrina. “Mais de 80% dos suplentes estão sem emprego”, completou.

“O deputado Mauro Moraes [PSDB] mandava mensagem no nosso grupo de WhatsApp, dizendo: ‘Pode comprar o enxoval, porque vocês vão ser chamados’. E agora é isso”, disse outro candidato.

Nesta semana, o caso repercutiu na Assembleia Legislativa e gerou estremecimento até mesmo na base de apoio a Richa. Mauro Moraes atribuiu o cancelamento do chamamento ao secretário de Estado da Fazenda, Mauro Ricardo Costa.

“O que vale mais: o chamamento do governador ou a palavra do secretário?”, questionou o parlamentar, que é do mesmo partido Richa. “O governador assinou e foi publicado em Diário Oficial o chamamento desse pessoal e agora, pasmem os senhores, o secretário da Fazenda diz que quer o protocolo de volta para mudar o seu parecer e dizer que não quer mais contratar os 163 suplentes”, atacou o deputado, que é presidente da Comissão de Segurança Pública da Assembleia.

Alguns dos candidatos já ingressaram com mandado de segurança, com vistas a garantir o ingresso na PM. A Associação dos Praças do Estado do Paraná (Apra-PR) colocou seu departamento jurídico à disposição dos suplentes. “Vamos estudar juridicamente que tipo de ação pode ser tomada. É uma situação que causa uma angústia grande em todos os candidatos, que estão desde 2012 esperando para ser policial. É ruim para a população também, que fica sem ter esses 163 policiais na rua”, disse o presidente da entidade, Orélio Fontana Neto.

Fonte: Gazeta do Povo

TÓPICOS: Segurança Pública do Paraná